COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Notícia · 17/09/2026

Flávio Bolsonaro quer trocar servidor por inteligência artificial e admite vender o Banco do Brasil

Flávio Bolsonaro quer trocar servidor por inteligência artificial e admite vender o Banco do Brasil

Em 14 de setembro de 2026, no seminário Brasil Hoje, do grupo Esfera, em São Paulo, a economista Daniella Marques, coordenadora do programa econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou que o “Banco do Brasil poderia (ser privatizado), pois negocia menos de uma vez seu patrimônio”, segundo o Money Times. No mesmo evento, disse que “mais de 20 estatais” podem entrar na mira da equipe e que o presidente argentino Javier Milei “é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento, em redução de burocracia e de impostos”. Sobre a Caixa, afirmou que o banco não seria vendido.

Três semanas antes, em 21 de agosto, no Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, ela tinha falado sobre quem atende a população no serviço público: “Na era da inteligência artificial, quantas carreiras poderão ser substituídas, operacionais e administrativas, promovendo uma reforma administrativa digital, enxugando o contingente atual de 12 milhões de servidores, que custam a nós, pagadores de impostos, R$ 450 bilhões de reais por ano?”, registrou o Poder360. No mesmo fórum, disse que “as carreiras serão absolutamente respeitadas”. As duas frases convivem mal.

Quem está falando

Daniella Marques não é nome novo. Foi assessora especial do então ministro da Economia Paulo Guedes e presidiu a Caixa em 2022, no governo Bolsonaro. Foi Guedes quem disse, em setembro de 2019, “por mim, acho que devemos privatizar todas as estatais”, e quem afirmou sobre o Banco do Brasil, em reunião ministerial de abril de 2020: “tem que vender essa porra logo”. Hoje ela divide a coordenação econômica da campanha com Adolfo Sachsida, o ministro que, em 2022, pediu estudos para privatizar a Petrobras.

Traduzindo para a vida: carreira administrativa e operacional é quem está do outro lado do balcão. É quem analisa o benefício, agenda o atendimento, confere o documento, resolve o problema que o aplicativo não resolve. Quando a proposta é “enxugar o contingente” com inteligência artificial, a pergunta que fica é quem vai atender quem não tem internet, não sabe usar o aplicativo ou precisa de alguém para explicar por que o pedido foi negado.

Os 95% do candidato

O próprio Flávio Bolsonaro já tinha dado a dimensão do projeto. Em 11 de fevereiro de 2026, na CEO Conference do BTG Pactual, ele disse que pretende privatizar 95% das estatais e manter participação apenas em áreas consideradas estratégicas, segundo o site NeoFeed. A frase registrada entre aspas foi: “Não dá para privatizar tudo. Mas, obviamente, onde puder privatizar, nós vamos privatizar.” O plano de governo registrado em agosto fala em retomar o Programa Nacional de Desestatização e avaliar “caso a caso”.

A União controla diretamente 44 empresas estatais, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Privatizar 95% delas significaria manter duas. Essas empresas lucraram R$ 169,4 bilhões em 2025, 45,4% a mais que no ano anterior. Em 2023, o governo Lula fez o caminho inverso e retirou Correios, Serpro, Dataprev, EBC e outras estatais da lista de privatizações.

Para o Comitê, a soma dessas falas revela uma premissa: a de que o que é público é defeito a ser corrigido, e não instrumento do país. É um preconceito contra as empresas públicas e contra quem trabalha nelas. Quem parte da ideia de que 95% das estatais sobram não está avaliando caso a caso. Já decidiu.

O Comitê defende o Banco do Brasil público, o serviço público com gente atendendo gente e as empresas que o povo brasileiro construiu. Tecnologia deve servir para melhorar o atendimento, não para desmontar quem atende.

Eles já disseram o que querem. Encaminhe para quem trabalha no serviço público ou depende dele.

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