COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Explicação · 15/09/2026

Da bomba de combustível à conta de luz: por que energia pública pesa no seu bolso

Entre dezembro de 2022 e março de 2026, o preço do diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras caiu R$ 0,84 por litro, uma redução de 29,6% descontada a inflação, segundo a própria empresa. No mesmo período, a tarifa de Itaipu passou de US$ 27,86 para US$ 17,66 por kW-mês, 36,6% a menos. São dois números distantes do dia a dia, mas que chegam a ele por caminhos muito concretos.

O diesel move o caminhão que leva o arroz ao supermercado, o ônibus que leva o trabalhador e a trabalhadora ao emprego e a máquina que colhe a safra. Quando ele sobe, sobe quase tudo. A energia elétrica acende a casa, mantém a geladeira ligada e faz a indústria funcionar. As duas contas passam por empresas públicas: a Petrobras, que produz a maior parte do petróleo do país, e Itaipu, usina binacional que atendeu 6,7% da demanda elétrica brasileira em 2025.

Duas escolhas de país

Entre 2016 e maio de 2023, a Petrobras seguiu o Preço de Paridade de Importação (PPI): o combustível produzido no Brasil era vendido como se fosse importado, amarrado ao dólar e ao barril lá fora. O botijão de gás saiu de R$ 68,85 em setembro de 2019 para R$ 113,11 em maio de 2022. Em maio de 2023, já no governo Lula, a empresa abandonou o PPI. Em setembro de 2026, com o barril acima de US$ 100 por causa da crise no Oriente Médio, a Petrobras reajustou a gasolina em R$ 0,19 e o governo compensou com corte de impostos para o aumento não chegar inteiro ao consumidor.

Na energia elétrica, a comparação é entre Itaipu e a Eletrobras. Itaipu terminou de pagar a dívida da construção em 2023 e o ganho virou tarifa menor. A Eletrobras foi privatizada em 2022, no governo Bolsonaro, e a lei da privatização obrigou a contratação de 8.000 MW de usinas térmicas a gás, com custo extra estimado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em R$ 52 bilhões até 2036. É uma conta que termina no consumidor.

O Comitê defende que petróleo e energia continuem sob controle público porque é isso que permite ao país amortecer choques de preço, transformar o fim de uma dívida em tarifa menor e decidir sobre setores estratégicos. Vender essas empresas é entregar ao acionista privado o poder de decidir quanto custa encher o tanque e acender a luz.

Energia pública é conta mais leve na casa de quem trabalha. Compartilhe com quem paga combustível e conta de luz.

Fontes Checadas

Instituições: Itaipu Binacional Petrobras