COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas

Na Petrobras, trabalhador terceirizado se acidenta duas vezes mais que o contratado direto

A Petrobras registrou em 2024 uma Taxa de Acidentados Registráveis (TAR) de 0,67 por milhão de horas trabalhadas, abaixo dos 0,80 de 2023, segundo a página de segurança do relatório de sustentabilidade da empresa. O número geral esconde uma diferença importante: entre os empregados próprios, a taxa foi de 0,36. Entre os trabalhadores e trabalhadoras de empresas contratadas, foi de 0,76, mais que o dobro.

Em números absolutos, foram 34 acidentes registráveis com empregados próprios e 233 com terceirizados. Os acidentes com afastamento foram 25 entre próprios e 135 entre terceirizados. E as quatro mortes registradas em 2024 foram todas de trabalhadores de empresas contratadas.

Por trás da taxa

Traduzindo: quem trabalha para uma empresa terceirizada dentro de uma plataforma, refinaria ou obra da Petrobras corre mais risco do que o colega contratado diretamente. Não se trata de um número abstrato. São pessoas que saem de casa para trabalhar e não voltam, famílias que perdem a renda, colegas que convivem com o acidente.

A empresa tem avanços a mostrar: desde o lançamento do programa Compromisso com a Vida, em 2016, a TAR caiu de 2,15 para 0,67. Esse resultado mostra que segurança se constrói com política permanente, investimento e fiscalização. E é justamente por ser pública que a Petrobras pode ser cobrada pela sociedade, pelos sindicatos e pelo Congresso a estender a mesma proteção a todos que trabalham em suas operações.

O Comitê defende que a segurança do trabalho na Petrobras valha igualmente para empregados próprios e terceirizados, com as mesmas exigências de treinamento, equipamento e fiscalização, e que nenhuma meta de custo passe por cima da vida de quem trabalha.

Toda morte no trabalho é evitável. Compartilhe com quem trabalha embarcado, em refinaria ou em obra.

Fontes Checadas