COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Notícia · 17/09/2026

A conta que não fecha: estatais lucraram R$ 169 bilhões em 2025, mas a manchete fala em rombo

A conta que não fecha: estatais lucraram R$ 169 bilhões em 2025, mas a manchete fala em rombo

Em 31 de agosto de 2026, o Banco Central informou que as estatais federais acumularam déficit de R$ 8,3 bilhões de janeiro a julho, o “maior da série iniciada em 2002”, noticiou o Poder360. Dois meses antes, em 2 de julho, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) tinha divulgado outro número: as estatais federais tiveram lucro líquido de R$ 169,4 bilhões em 2025, 45,4% a mais que em 2024. Os dois números são verdadeiros. O que muda é o que cada um mede, e qual deles vira manchete.

O que o “rombo” não conta

O indicador do Banco Central deixa de fora justamente as maiores e mais lucrativas: a Petrobras e as estatais financeiras, como Banco do Brasil, Caixa e BNDES. E é uma conta de caixa, em que investimento entra como despesa. Uma empresa pode lucrar e, mesmo assim, aparecer com “déficit” porque investiu. Foi o que aconteceu em 2025: das 20 empresas incluídas na conta, 16 tiveram lucro, e 8 apareceram com déficit mesmo lucrando, segundo o InfoMoney. A Emgepron, estatal da área naval, registrou déficit de R$ 2,8 bilhões num ano em que investiu R$ 2,6 bilhões.

O resultado de 2025 inteiro foi um déficit de R$ 5,1 bilhões, dentro da meta prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias. O lucro das estatais no mesmo ano foi 33 vezes maior. E o principal responsável pelo déficit de 2026 foram os Correios, que enfrentam uma crise real e passam por reestruturação, para em breve voltarem a operar com lucro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, resumiu em setembro: “Esse resultado que estamos chamando de déficit não pode ser confundido com prejuízo ou lucro da empresa”.

Há uma segunda confusão. Das 44 estatais controladas diretamente pela União, 27 se sustentam sozinhas e 17 são dependentes do Tesouro, segundo o MGI (Ministério da Gestão e Inovação). As dependentes não existem para dar lucro: são serviços públicos organizados em forma de empresa. A maior delas é a Ebserh, que administra os hospitais universitários federais. Também estão na lista a Embrapa, de pesquisa agropecuária, a Codevasf, de desenvolvimento dos vales do São Francisco e do Parnaíba, e a Conab, que cuida de estoques de alimentos. Juntas, custaram cerca de R$ 30 bilhões ao orçamento em 2025, segundo a Instituição Fiscal Independente do Senado, e mais de um terço disso foi para a Ebserh.

Chamar esse gasto de prejuízo é como dizer que um hospital público deu prejuízo porque atendeu de graça. Traduzindo para a vida: o dinheiro da Ebserh vira consulta e cirurgia em hospital universitário; o da Embrapa vira semente e tecnologia no campo; o da Conab vira estoque de comida. Enquanto isso, as estatais que dão lucro devolvem dinheiro ao caixa público: foram R$ 45,8 bilhões em dividendos à União em 2025. Em 2024, segundo o MGI, para cada R$ 1 do orçamento destinado às estatais, R$ 2,51 voltaram aos cofres públicos.

O que chamam de gasto é o que garante direito. Encaminhe para quem acha que estatal só dá prejuízo.

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