COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Explicação · 15/09/2026

Plano Safra: quem financia a comida que chega à sua mesa

O governo federal lançou em 30 de junho de 2026 o Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial, com R$ 525,1 bilhões, R$ 9 bilhões a mais que no ciclo anterior, segundo o InfoMoney. Em 9 de julho, veio o Plano Safra da Agricultura Familiar, com R$ 85,2 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com juros de 2% ao ano para quem produz alimentos e de 1% para sistemas agroecológicos.

Esse dinheiro é o que permite comprar semente, adubo e máquina antes do plantio. Sem ele, o agricultor não planta, e o feijão, o arroz, o leite e a verdura que chegam à feira e ao supermercado ficam mais caros ou simplesmente faltam. É por isso que as linhas mais baratas do Pronaf são reservadas a quem produz alimento.

O banco público no centro

O Banco do Brasil anunciou R$ 210 bilhões para a safra 2026/27, dos quais R$ 40 bilhões para pequenos e médios produtores e R$ 170 bilhões para a agricultura empresarial. Na safra anterior, tinha anunciado R$ 230 bilhões e liberado R$ 209 bilhões. Em junho de 2026, a carteira de crédito agro do banco somava R$ 421,6 bilhões, alta de 4,1% em doze meses, bem acima do crescimento da carteira total, de 1,5%. Segundo o próprio banco, o BB responde por cerca de metade do crédito ao agronegócio no país.

O ano não foi fácil. Com a inadimplência no campo, o lucro ajustado do BB caiu 45,4% em 2025. É nessas horas que se vê a diferença de um banco público: ele segue financiando a safra seguinte, porque a função dele não é só dar lucro, é garantir que o país continue produzindo. Em 2020, o então ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, disse que o BB era “caso pronto de privatização”.

O Comitê defende o Banco do Brasil público e um Plano Safra que priorize quem produz alimento. O crédito que planta a comida do Brasil não pode depender do humor do mercado financeiro.

O crédito que planta a comida do país passa por banco público. Encaminhe para quem vive do campo ou faz compra no mercado.

Fontes Checadas

Instituições: Banco do Brasil