COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Explicação · 15/09/2026

Ciência em números: o que o CNPq financia e por que isso é soberania

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou 6.057 bolsas no resultado final da chamada de Bolsas de Produtividade em Pesquisa, sendo 5.623 de produtividade, 85 para pesquisadores sêniores e 349 de desenvolvimento tecnológico, segundo o próprio conselho. Mais de 1.500 pesquisadores e pesquisadoras recebem a bolsa pela primeira vez. Na outra ponta da carreira, o ciclo de iniciação científica e tecnológica que começou em setembro de 2026 soma 120.576 bolsas de 12 meses.

Esses números explicam uma coisa simples: no Brasil, a ciência é pública. Mais de 95% da produção científica do país veio de universidades públicas entre 2011 e 2016, segundo estudo da Clarivate para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Em 2024, o Brasil publicou mais de 73 mil artigos científicos, 4,5% a mais que no ano anterior, voltando a crescer depois de dois anos de queda. Foi essa estrutura que, em 2016, comprovou na revista Nature a relação entre o vírus zika e a microcefalia, em estudo com USP e Fiocruz.

Quando o dinheiro some

Em agosto de 2019, no governo Bolsonaro, faltavam R$ 330 milhões no orçamento do CNPq e cerca de 84 mil bolsistas estavam ameaçados de ficar sem pagamento. Em março de 2023, no governo Lula, as bolsas de mestrado e doutorado foram reajustadas em 40%, depois de dez anos congeladas, e a de iniciação científica passou de R$ 400 para R$ 700. Mas a disputa continua: o Orçamento de 2026 aprovado no Congresso reservou R$ 1,738 bilhão ao CNPq, R$ 92,4 milhões a menos do que a proposta original, segundo a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Traduzindo para a vida: cada bolsa cortada é um jovem que desiste do laboratório, uma pesquisa sobre doença, semente ou energia que para no meio e um pedaço de conhecimento que o Brasil vai precisar comprar de fora. Um país que não financia a própria ciência depende da ciência dos outros.

O Comitê defende orçamento estável para o CNPq, reajuste periódico das bolsas e proteção do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico contra bloqueios. Ciência não é gasto: é o que garante que o Brasil resolva os próprios problemas.

Sem bolsa não tem cientista, e sem cientista não tem soberania. Compartilhe com quem estuda ou pesquisa.

Fontes Checadas

Instituições: CNPq