COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Posição · 16/09/2026

O plano deles para as empresas públicas, nas palavras deles

Em 14 de setembro de 2026, Daniella Marques, coordenadora do programa econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, afirmou que “mais de 20 estatais” podem entrar na mira de privatização, segundo o Money Times. A frase não é nova. Privatização raramente é anunciada com esse nome: aparece como “enxugar a máquina”, “avaliar caso a caso” ou “focar no essencial”. Por isso o Comitê organizou, em ordem, o que os próprios defensores da venda das estatais disseram e fizeram. Cada frase abaixo tem data e fonte.

2019 a 2022: o projeto no governo

Setembro de 2019. Em entrevista ao jornal Valor, o então ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, afirmou: “Por mim, acho que devemos privatizar todas as estatais”.

2019. A Petrobras vende a TAG, dona de gasodutos, por R$ 33,5 bilhões e perde o controle da BR Distribuidora. A Caixa anuncia a venda de participações e o plano de abrir o capital de suas subsidiárias.

22 de abril de 2020. Na reunião ministerial divulgada depois pelo Supremo Tribunal Federal, Guedes diz sobre o Banco do Brasil: “Tem que vender essa porra logo”. Bolsonaro responde que o assunto ficaria para 2023, depois da eleição.

13 de abril de 2021. Decreto inclui os Correios, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Eletrobras no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Abril de 2021. A Caixa Seguridade abre capital e levanta R$ 5 bilhões.

5 de agosto de 2021. A Câmara aprova a privatização dos Correios por 286 votos a 173. O projeto trava no Senado.

14 de outubro de 2021. Bolsonaro declara: “Já tenho vontade de privatizar a Petrobras”. A refinaria da Bahia é vendida no mês seguinte.

Até o fim de 2021. O governo arrecadou R$ 227 bilhões com a venda de estatais e de ações, segundo o Poder360. O número de estatais federais caiu de 209 para 133, sobretudo por venda e extinção de subsidiárias, segundo o Metrópoles.

11 de maio de 2022. Adolfo Sachsida assume o Ministério de Minas e Energia e pede estudos para a “desestatização da Petrobras”.

26 de maio de 2022. Guedes: “Vamos privatizar a Petrobras”, condicionando a promessa à reeleição.

9 de junho de 2022. A Eletrobras é privatizada, com oferta de R$ 33,7 bilhões. A lei traz térmicas que custarão R$ 52 bilhões a mais até 2036, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

1º de janeiro de 2023. Já no governo Lula, são revogados os processos de privatização de Correios, EBC, Dataprev, Serpro, Nuclep, Petrobras, PPSA e armazéns da Conab.

6 de abril de 2023. O Decreto 11.478 exclui formalmente do programa de privatizações os Correios, a EBC, a Dataprev, o Serpro, a Nuclep, a ABGF e a Ceitec.

2026: o que prometem agora

Dezembro de 2025. Em entrevista à Reuters, o hoje candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) diz que a Petrobras “é um grande conglomerado de empresas que a gente tem que ver” e fala em partes que poderiam ser privatizadas.

26 de abril de 2026. O candidato Romeu Zema (Novo): “Eu vou privatizar a Petrobras. Eu vou privatizar o Banco do Brasil.” E acrescenta que vai vender “as estatais que só dão prejuízo, como os Correios”.

2 de junho de 2026. Flávio Bolsonaro, à Rádio Itatiaia: “Os Correios têm que ser privatizados, para começar”. E completa que é preciso “partir para a privatização de outras empresas também”.

Agosto de 2026. O plano de governo registrado por Zema propõe “privatizar todas as empresas estatais (incluindo empresas estratégicas como Petrobras ou bancos públicos)”. O plano de Flávio Bolsonaro propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização e avaliar “caso a caso” onde a presença do Estado deixou de fazer sentido, sem citar empresas pelo nome.

7 de agosto de 2026. O candidato Ronaldo Caiado (PSD) diz que privatizaria “segmentos do gás” da Petrobras, mas “de maneira alguma” o Banco do Brasil. Semanas depois, em sabatina, diz que fecharia estatais “imediatamente”, sem dizer quais.

18 de agosto de 2026. O coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL): “Todas as empresas estatais vão passar por uma avaliação para verificar qual é a sua eficácia. Não há nenhum plano no sentido de privatizar a Petrobras”.

21 de agosto de 2026. A campanha de Flávio apresenta sua equipe econômica, coordenada por Daniella Marques e Adolfo Sachsida. Entre os integrantes está Myrian Prado, que participou da privatização da Eletrobras.

14 de setembro de 2026. Daniella Marques afirma que “mais de 20 estatais” podem entrar na mira e que o “Banco do Brasil poderia (ser privatizado)”.

Nos estados. Os governos estaduais dão uma amostra do que vem depois da venda. Em São Paulo, a Sabesp foi privatizada em 2024 no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). No primeiro semestre de 2025, o lucro subiu 78%, enquanto as reclamações registradas na agência reguladora estadual passaram de 610 para 1.246 em um ano, segundo o Metrópoles. Em Minas Gerais, no governo Zema, a Copasa foi vendida em junho de 2026 por R$ 8,38 bilhões.

A sequência se repete: primeiro se diz que a empresa é ineficiente, depois se vende a parte que dá lucro, depois se discute o resto. A equipe que hoje promete “avaliar caso a caso” tem na coordenação nomes do mesmo time econômico que entre 2019 e 2022 vendeu subsidiárias, incluiu os Correios na lista de privatização e mandou estudar a venda da Petrobras.

O Comitê defende as empresas públicas porque elas são do povo brasileiro, e não de quem ocupa o governo por quatro anos. Por isso cada fala está registrada aqui com data e fonte: para que ninguém precise acreditar no Comitê. Basta conferir.

Eles não escondem o que querem. Encaminhe esta linha do tempo para quem ainda acha que ninguém fala em vender as estatais.

Fontes Checadas

Instituições: Petrobras Itaipu Binacional Correios Fundação Banco do Brasil Banco do Brasil Caixa Econômica Federal CNPq