Petrobras faz 73 anos na véspera da eleição: R$ 1 de cada R$ 20 que o Brasil arrecada
A Petrobras foi criada em 3 de outubro de 1953. Faz 73 anos hoje, um dia antes do primeiro turno. Não é coincidência que valha a pena lembrar: é a empresa que mais paga imposto no Brasil, e é a empresa que um candidato já disse que pode vender “por segmentos”.
Em 2025, a Petrobras recolheu R$ 207,8 bilhões em tributos para a União, os estados e os municípios. É cerca de 5% de toda a arrecadação do país, ou seja, um real de cada vinte que o Brasil arrecada sai de uma única empresa pública. A produção total operada bateu o recorde histórico de 4,32 milhões de barris de óleo equivalente por dia, 11% a mais que em 2024, e a exportação de petróleo também foi recorde. A empresa investiu US$ 20,3 bilhões no ano, 22% a mais que no anterior, e lucrou R$ 110,6 bilhões. Tudo isso está no Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais 2026, do Ministério da Gestão.
O que mudou de 2022 para cá
Em 2022, a Petrobras pagou R$ 194,6 bilhões em dividendos, o maior valor da série, num ano em que refinarias e subsidiárias haviam sido vendidas — a Refinaria de Manaus e a Gaspetro entre elas. Em 2025, os dividendos foram de R$ 45,4 bilhões. A diferença não sumiu: virou investimento, produção e emprego. O quadro de pessoal cresceu de 45.600 pessoas em 2021 para 49.567 em 2025, quase quatro mil a mais. A remuneração média subiu de R$ 19,5 mil para R$ 25 mil entre 2021 e 2024. A empresa colocou R$ 2 bilhões em investimentos socioambientais, patrocínios e doações, completou 30 anos de apoio ao cinema brasileiro, com mais de 600 filmes, e assumiu programas de restauração de floresta na Amazônia, na Mata Atlântica, no Cerrado e no Pantanal.
Menos dividendo para acionista e mais investimento no Brasil: essa é a escolha que aparece nos números.
A proposta que está na mesa
Em entrevista à Reuters, em dezembro de 2025, o candidato Flávio Bolsonaro disse que a Petrobras “é complexa demais. São vários segmentos… o que não funciona e pode ser privatizado”. Em fevereiro, prometeu privatizar 95% das estatais. Em setembro, o coordenador do plano econômico dele propôs zerar o tributo sobre a exportação de petróleo. Vender por pedaços é o método que atrai menos resistência e chega ao mesmo lugar: começa pelo pedaço que dá lucro e deixa o resto para o público sustentar.
O Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas não fala pela Petrobras. Fala por um país que descobriu petróleo em águas profundas com tecnologia própria e não aceita entregar o resultado. Nos 73 anos da empresa, a homenagem é uma pergunta: quem paga a conta se o pedaço que paga a conta for vendido?
Amanhã é dia de votar. O Comitê fica em silêncio até segunda-feira. Quem defende empresa pública já sabe o que fazer.
73 anos. Um real em cada vinte. É nossa.