COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Posição · 01/10/2026

Por que quem defende as empresas públicas apoia a reeleição do presidente Lula

Por que quem defende as empresas públicas apoia a reeleição do presidente Lula

Trabalhadores, aposentados e terceirizados da Caixa, do Banco do Brasil, dos Correios, da Petrobras, de Itaipu, do CNPq e da Fundação Banco do Brasil

Nós trabalhamos nas empresas públicas. Somos quem financia a casa, planta o crédito da comida, entrega a carta no interior, tira o petróleo do fundo do mar, gera 7% da energia elétrica do país, paga a bolsa do pesquisador e leva água ao Semiárido. Sabemos, por ofício, o que essas empresas fazem — e sabemos, porque vivemos, o que acontece com elas quando o governo as trata como estorvo.

Entre 2019 e 2022 nós vimos. O Serpro e a Dataprev, que guardam o CPF, o Imposto de Renda, o benefício do INSS e o Cadastro Único de 96 milhões de brasileiros, foram postos à venda por decreto em janeiro de 2020. A Ceitec, a única fábrica pública de semicondutores do país, teve a liquidação decretada. Os Correios entraram no programa de privatização em 2021 e, nas palavras do próprio Ministério da Gestão, ficaram “impedidos de realizar investimentos consistentes”. A Eletrobras foi vendida com 21 subsidiárias. Refinarias e subsidiárias da Petrobras foram vendidas. As estatais perderam 42 mil empregos e um quinto da massa salarial real. O investimento do conjunto das empresas caiu a R$ 51 bilhões. Nenhuma das nossas sete foi leiloada — e todas foram atacadas. Porque não é preciso vender uma empresa pública para destruí-la: basta não fazer concurso, cortar o investimento e dizer depois que ela não serve.

Desde 2023 nós também vimos. Em 6 de abril de 2023, um decreto tirou Correios, Serpro, Dataprev, Ceitec, EBC, Nuclep e ABGF da lista de venda. A Ceitec reabriu em novembro daquele ano e em 2025 voltou a vender chips. O Serpro teve o maior lucro de sua história dois anos seguidos e contratou 600 pessoas em um ano. A Dataprev bateu recorde de lucro e contratou 277. As estatais fizeram concurso e recuperaram sete mil empregos. O investimento dobrou em termos reais e chegou a R$ 116 bilhões em 2025, o maior da história, pelo terceiro ano seguido de crescimento. A Petrobras bateu recorde de produção, investiu US$ 20 bilhões e recolheu R$ 208 bilhões em tributos — um real de cada vinte que o Brasil arrecada. A Caixa fez 455 milhões de pagamentos sociais e financiou 871 mil moradias. O Banco do Brasil colocou R$ 95 bilhões no campo. Isso está nos Relatórios Agregados das Empresas Estatais Federais publicados pelo Ministério da Gestão, com página e número. Não é opinião: é registro.

E o que está em disputa em 2026 também está registrado. O candidato Flávio Bolsonaro prometeu a investidores, em fevereiro, privatizar 95% das estatais e disse que seu ministro da Fazenda terá de ser “no mínimo igual a Paulo Guedes” — o mesmo Guedes que era ministro quando saiu a lista de venda de 2020. Disse à Reuters que vê espaço para vender os Correios e “segmentos” da Petrobras. A coordenadora do seu programa econômico, que presidiu a Caixa no governo anterior, admitiu em setembro privatizar o Banco do Brasil e mandar “mais de vinte estatais” para “reestruturação, privatização ou liquidação”. Há quem vá além e prometa vender tudo “sem exceções”. Ninguém está escondendo o programa. Nós é que não podemos fingir que não ouvimos.

Por isso este Comitê declara apoio à reeleição do presidente Lula.

Não por gratidão e não por partido. Apoiamos porque, para quem trabalha numa empresa pública, defender a instituição e defender essa candidatura são, em 2026, a mesma luta. É o governo que escreveu, em documento oficial, que “soberania, autonomia tecnológica, segurança cibernética e segurança energética exigem que os Estados mobilizem diferentes instrumentos” — e que fez isso na prática, tirando da lista de venda o que não pode ser vendido e devolvendo às empresas o direito de contratar e investir. É a candidatura que tem lado nessa disputa. A outra também tem, e já disse qual é.

Apoiar não é pedir cheque em branco. Continuaremos cobrando concurso, reajuste real, fim da terceirização do que é permanente, solução para os Correios que não passe por vender o pedaço que dá lucro e abandonar a carta do interior. Cobrar é o que faz de um comitê um comitê, e não uma torcida.

Mas cobrar de quem tira as empresas da lista de venda é uma coisa. Implorar a quem promete a lista de novo é outra. Nós escolhemos a primeira.

Não nascemos para uma eleição. Nascemos permanentes, porque a ameaça é permanente: volta a cada quatro anos com nomes diferentes e o mesmo programa. Queremos que, da próxima vez, a defesa das empresas públicas já esteja de pé, com rede montada, número na mão e narrativa pronta.

Empresa pública é do povo. Defender as empresas públicas é defender o Brasil. Em 2026, é reeleger Lula.

Setembro de 2026

Instituições: Banco do Brasil Caixa Econômica Federal CNPq Correios Fundação Banco do Brasil Itaipu Binacional Petrobras