COMITÊ POPULAR DE LUTA EM DEFESA DAS EMPRESAS PÚBLICAS
Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas
Notícia · 02/10/2026

Termômetro da Privatização nº 1: o que eles já disseram, com data e fonte

Termômetro da Privatização nº 1: o que eles já disseram, com data e fonte

Este é o primeiro Termômetro da Privatização do Comitê. A regra é simples: frase entre aspas, nome de quem disse, data e onde saiu. Nada de interpretação. O leitor tira a conclusão.

“Privatizar 95% das estatais.” Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, na CEO Conference do banco BTG Pactual, em 11 de fevereiro de 2026. No mesmo evento, disse que o seu ministro da Fazenda terá de ser “no mínimo igual a Paulo Guedes”. Guedes era o ministro da Economia quando o Decreto 10.206, de janeiro de 2020, colocou Serpro e Dataprev à venda, e quando a Ceitec teve a liquidação decretada. (NeoFeed)

“Espaço para a privatização dos Correios.” Flávio Bolsonaro, em entrevista à agência Reuters publicada em 23 de dezembro de 2025. Na mesma entrevista, sobre a Petrobras: “é complexa demais. São vários segmentos… o que não funciona e pode ser privatizado”. (Brasil 247/Reuters)

O Banco do Brasil “poderia” ser privatizado porque “está abaixo do valor patrimonial”. Daniella Marques, coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro e ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro, em painel do Grupo Esfera, em 14 de setembro de 2026. No mesmo painel: “mais de 20 estatais” que dependem da União devem ser analisadas para “reestruturação, privatização ou liquidação”. (Money Times; Jornal Pequeno)

Zerar o tributo sobre exportação de petróleo. Adolfo Sachsida, coordenação-geral do plano econômico de Flávio Bolsonaro, no mesmo painel de 14 de setembro. (Money Times)

Privatizar as estatais federais “sem exceções” — nem Petrobras, Caixa e Banco do Brasil. Romeu Zema, candidato do Novo, conforme levantamento do Congresso em Foco de 16 de junho de 2026. (Congresso em Foco)

Do outro lado, um número

Em 2025, as 44 empresas estatais federais investiram R$ 115,9 bilhões, o maior valor da história. É 20,5% a mais que em 2024 e 125,5% a mais que em 2022 — em termos reais, descontada a inflação, o investimento dobrou. Foi o terceiro ano seguido de crescimento. As mesmas empresas lucraram R$ 169,4 bilhões, recolheram R$ 238,3 bilhões em tributos, o equivalente a 5,8% de tudo o que o Brasil arrecadou, e pagaram R$ 45,8 bilhões em dividendos à União. Entre 2019 e 2022, elas haviam perdido 42 mil empregos e 19% da massa salarial real; desde 2023, recuperaram sete mil vagas por concurso público. Fonte: Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais, publicado pelo Ministério da Gestão.

O que o Comitê tira disso

O programa não está escondido. Está em entrevista, painel e conferência de investidores. O que o Comitê Popular de Luta em Defesa das Empresas Públicas faz é juntar as frases num lugar só e colocar ao lado o que as empresas entregaram quando foram deixadas em paz para trabalhar. Se “um novo Guedes” é a promessa, a lista de 2020 é a memória: Serpro, Dataprev, Ceitec, Correios, EBC, Telebras. Está tudo escrito.

Este Termômetro será atualizado a cada quinzena. Mande para o Comitê a declaração que faltou, com data e link.

Quem compara, decide com número na mão.

Instituições: Banco do Brasil Caixa Econômica Federal Ceitec Correios Dataprev Petrobras Serpro